Os desafios de um CEO [Os 4 aprendizados do CEO da Ramper]

Autor: raphaavellar
Os desafios de um CEO [Os 4 aprendizados do CEO da Ramper]

Chegamos ao episódio número #10 do The CMO Playbook! 

Até aqui, já recebi CEOs, CMOs, Diretores e Heads. Conversei sobre customer experience, personal brand, conteúdo, criatividade, branding digital, mercado brasileiro, entre diversos outros tópicos com quem realmente entende do assunto. 

E o convidado do nosso décimo episódio é o Ricardo Corrêa, CEO da Ramper. 

Como sempre, trocamos muita informação sobre negócios, empreendedorismo, estratégias de mercado, SaaS e transformei os melhores insights neste blog post!

Ricardo deu dicas valiosas para quem, assim como aconteceu com ele, deseja ou está prestes a mudar de área, quer abrir um novo negócio e iniciar uma nova empreitada.

Mas antes de saber quais foram essas dicas, que tal conhecer um pouco mais sobre o Ricardo e a Ramper?

Sobre Ricardo

Ricardo é publicitário de formação pela Anhembi Morumbi e tem mais de doze anos de experiência no mercado de software e tecnologia B2B. 

Até se tornar o CEO da Ramper, atuou como Head de Marketing na Aurum e, posteriormente, fundou a Siteina; empresa de marketing especializada em tecnologia.

Seus anos como empreendedor de uma empresa de tecnologia o possibilitaram um grande conhecimento em marketing aplicado à softwares, fator fundamental para a decisão de abrir um novo negócio: a Ramper.

Sobre a Ramper

A Ramper é uma plataforma de prospecção digital de vendas B2B para criar listas de contatos, automatizar abordagens e analisar estatísticas.

Além disso, a Ramper, fundada em 2016, é uma das startups de mais rápido crescimento no Brasil.

A empresa nasceu tanto de um gap do mercado em oferecer o tipo de serviço que a Ramper oferece quanto de um certo declínio que o outro empreendimento do Ricardo estava passando.

Dificuldade em manter clientes, networkings acabando, estratégias de marketing enfraquecidas, somado ao cenário mercadológico daquele momento, em que produtos de prospecção sempre foram encarados como muito analógicos e “braçais”, foi tudo o que Ricardo precisou para virar a chave.

Bom, a gente sabe que fechar um negócio é sempre um risco. E tão arriscado quanto é decidir abrir um novo que oferece um serviço completamente diferente.

Se, mesmo jovem, a Ramper já conseguiu atingir a grandeza que tem, foi porque tanto Ricardo quanto seus sócios já tinham acumulado experiências e aprendizados importantes o suficientes para que erros e amadorismos não se repetissem.

No mais, eu acredito que muitos profissionais tenham muita curiosidade em saber como é abandonar um emprego para começar a empreender.

Ou seja, se tornar dono do seu próprio negócio.

Por isso, Ricardo é o cara ideal para falar sobre como foi essa transição, quais foram os aprendizados que ele carregou na hora de abrir o seu negócio, quais experiências foram válidas e quais erros não devem ser repetidos. 

Vamos, então, saber quais são as dicas do CEO sobre o assunto?

Deixe a prepotência de lado

Começar a empreender exige muita confiança. Todo novo empreendedor, mesmo ciente de todos os riscos, sempre deve estar mais seguro do que inseguro na hora de abrir um negócio.

Porém, o problema é quando esse excesso de segurança se transforma em prepotência. 

Ricardo conta que foi alvo da sua própria prepotência e que acabou batendo de frente com o muro na hora que as coisas começaram a ficar sérias.

“Não é só porque você é bom em marketing que você vai ser muito bom em tocar uma agência, por exemplo. Eu cometi esse erro e vejo isso acontecer com uma frequência muito alta. E, na verdade, você só está acelerando a velocidade com que você vai dar de cara no muro.”

E ainda, o CEO fala que é preciso ter modéstia na hora de se convencer do que você é a partir do que os outros falam.

“Eu passei por essa questão de ter um conhecimento que era considerado raro naquela circunstância. Eu ouvia de muita gente que eu era muito bom e o maior problema foi eu ter acreditado.”

Assim, ele explica que foi essa prepotência que o fez achar que estava acima de tudo e que todas as atitudes que ele tomava estavam certas. 

“Não confunda skills técnicas, como de marketing, vendas, programação com skills em tocar uma empresa. São coisas completamente diferentes.”

Ou seja, é importante abraçar os conhecimentos que nós já temos, mas também ser humilde para assumir falhas e compreender quais competências nós precisamos melhorar. Concorda?

Englobe todos os aspectos do seu negócio

Negligenciar áreas específicas de um negócio pode ser uma grande armadilha para qualquer pessoa que decida empreender.

Dessa forma, é preciso ter uma visão macro e dar a mesma importância para todas as repartições de um negócio.

“Não dá pra negligenciar outros aspectos do negócio. Como, por exemplo, finanças e vendas. Eu tocava uma agência e tinha quinze pessoas de marketing, de operação, atendimento, design, redação, mas eu não tinha uma pessoa no administrativo.”

Aqui, Ricardo deixa claro que esse erro pode, inclusive, ser o que impede uma empresa de crescer.

“(…) E por isso eu acabava acumulando todas essas funções. Eu era o cara mais sênior de marketing, eu era demandado nos clientes, eu era o administrativo, era de vendas. Isso foi consequência da minha falta de visão como empresário em entender que uma empresa tem que se particionar em outras áreas, senão você não cresce e vira o gargalo do teu próprio negócio.”

Saiba lidar com pessoas

Bom, os outros dois aprendizados já foram importantíssimos. E, esse, para Ricardo, talvez seja o mais importante de todos.

Muita gente que começa a empreender acaba esquecendo desse detalhe que é que estar à frente de um negócio também te coloca à frente da gestão de muita, muita gente. Vidas diferentes, pensamentos diferentes, modos de trabalho diferentes.

Assim, Ricardo lembra que ele foi uma dessas pessoas e conta o quanto isso o prejudicou.

“Quando eu empreendi pela primeira vez, eu certamente não sabia lidar com pessoas. E isso porque nas minhas experiências passadas eu sempre fui “o cara que tinha o conhecimento”. Eu era a locomotiva daquilo tudo, então eu dava ombrada em todo mundo, agia com uma força desproporcional e não me preocupava em ganhar as pessoas.”

Começar a empreender com esse mindset acabou causando muito sofrimento ao Ricardo, que precisou, na marra, aprender que lidar e gerir pessoas é imprescindível quando se quer entrar nesse universo.

“Tudo que eu queria era fazer, e se parassem na minha frente eu atropelava. Foi com esse mindset que eu comecei a empreender e na hora que eu fui construir meus times eu não tinha nenhum tato, eu queria que as coisas fossem feitas e boa. Com a Ramper também foi assim.”

No mais, apesar das pisadas na bola e dessa falta de visão mais voltada à gestão, Ricardo conta que todas as etapas, das mais sofridas às mais “fáceis”, foram completamente importantes para o seu amadurecimento e crescimento da Ramper.

É isso, então, que nos leva ao quarto e último aprendizado do dia.

Errar é mesmo a melhor forma de aprender

Por mais clichê que isso possa parecer, de fato, quem empreende está sempre sujeito a falhas. 

E ainda, em um universo em que “tentativa” e “erro”, muitas vezes são a engrenagem de um negócio, as falhas sempre acabam ganhando uma importância maior.

E com o Ricardo não foi diferente. Ele viu seu primeiro empreendimento quebrar e sentiu o quanto os amadorismos de um empreendedor de primeira viagem podem ser prejudiciais.

Porém, ao mesmo tempo, foram esses mesmos erros que fizeram com que ele começasse um segundo empreendimento muito mais maduro, consciente e humano.

“Eu acredito que talvez o fato mais importante disso tudo foi eu ter quebrado e ter sofrido com a Siteina durante um período. Foi extremamente importante ter passado por esse momento para poder absorver todos os aprendizados.”

No mais, Ricardo completa dizendo que errar uma vez foi o que o possibilitou acertar na segunda.

“Se a Siteina tivesse dado muito certo e a Ramper tivesse vindo logo em seguida e também tivesse dado muito certo eu teria sido poupado de absorver os aprendizados e de calcular todos os erros que eu cometi. Eu não iria chegar, no meu segundo negócio, e falar “eu não posso fazer isso de novo porque eu sei as consequências que isso vai ter.”

Notas Finais

As reviravoltas da vida sempre nos ensinam algo. Assim como os erros.

Não é porque uma ideia, um emprego ou um empreendimento não deu certo hoje, que daqui uns meses ou anos eles, ou outras ideias que surgiram no meio do caminho, também não vão dar.

Assim, quando chegar o momento de virar a chave, vá confiante, mas não esqueça de ser humilde para enxergar as melhorias que precisam acontecer, tenha sempre uma visão macro do seu negócio e nunca se esqueça que um bom empreendedor é aquele que, antes de tudo, se importa com as pessoas.

Os erros, inevitavelmente, irão acontecer. Cabe a você ter a inteligência de absorver o máximo de aprendizado com eles e transformá-los em sucesso.

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