Leo De Biase: eSports, Free Fire e Burger King

Autor: raphaavellar
Leo De Biase: eSports, Free Fire e Burger King

O mercado de eSports no Brasil já é um dos que mais cresce no mundo. Hoje em dia, é absolutamente impossível ignorar esse fenômeno.

E para deixar o papo ainda mais incrível, convidei o Leo De Biase, que é Sócio e Fundador da BBL, holding especialista no segmento de jogos eletrônicos e que está inserida em todo o seu ecossistema.

Da operação de torneios e produção de eventos, passando pela criação de conteúdos até a disseminação de informação, a BBL é uma gigante do mercado de eSports.

Leo deu uma verdadeira aula sobre a economia, o cenário e as oportunidades do segmento para o país atualmente, além de fazer algumas previsões valiosas para o futuro.

Além disso, diante de um crescimento desproporcional e que não vai deixar de continuar acontecendo tão cedo, existem também uma série de desafios para serem superados, Leo também contou qual é o principal dele.

Confira aqui quais foram os highlights e principais insights do novo episódio do The CMO Playbook! 

O sistema dos eSports é hiper-abrangente 

Esse é a primeira e, talvez para alguns, a qualidade mais óbvia dos eSports.

Imagine estar em um segmento cuja faixa etária do público transita dos 15 aos 35 anos. Ninguém deveria ter dúvidas de que esse cenário é extremamente abrangente e potencialmente estratégico para as marcas. E Leo confirma:

“As oportunidades são inúmeras, um público jovem de 15 a 35 anos é uma coisa gigantesca, altamente engajado. No eSport profissional é de 18 a 35, e um pessoal que curte muito o lifestyle e consomem pra caramba tudo que existe de possível dentro do nosso sistema”.

Assim, potencial ali dentro é gigantesco. Fato. E o momento atual que estamos vivendo é extremamente benéfico para as marcas se apropriarem desse espaço.

A BBL, que já está no mercado há alguns anos, vem acompanhando todas as transformações e o Leo já consegue apontar qual é o maior desafio atual da empresa.

O enigma está na entrega

Diante do inegável hype, o maior desafio é, junto com as marcas, compreender como essa grande entrega pode ser feita e, assim, criar o engajamento ideal.

“Realmente o enigma para desvendar junto com as marcas é o de como fazer uma grande entrega. O game vem de uma classificação de subcultura e agora ele realmente faz parte do nosso dia a dia”.

No mais, Leo explica que a magnitude da presença dos jogos eletrônicos na nossa vida é um fato e entender o processo para atingir uma grande entrega é o que a BBL tem feito.

“Não tem mais volta, o hype nunca esteve tão alto e a gente está diariamente junto com agências, marcas e mentes muito brilhantes tentando entender como que é essa melhor entrega para criar esse engajamento”.

Com todas essas mudanças, a busca por patrocínios e brand awareness deixa de ser o único objetivo e abre espaço para novas métricas e estratégias.

eSports também são sobre conversão e aquisição

“A gente está realmente fazendo cada dólar investido voltar, seja na forma de novos usuários, seja com o aumento do ticket médio”.

É, podemos dizer que esse é o novo cenário dos jogos eletrônicos quando pensados economicamente. Eles um negócio, e precisam dar resultado.

Saber estabelecer parcerias que sejam ao mesmo tempo lucrativas e afetivamente estratégicas é a grande jogada. E a BBL já tem alguns cases de sucesso, como o da ação do Burger King junto ao Free Fire.

“O Free Fire é um fenômeno mobile, o Brasil é o maior mercado do mundo do jogo. Hoje nós temos uma ação que está dentro do jogo, está embarcando dentro do game que é acessado por milhões e milhões de pessoas todos os dias”.

Por ser uma ação que envolve, de fato, um jogo, a gamificação parece ser muito clara, mas ela exige dos executores um entendimento amplo de público e a perspicácia para unir os pontos.

“Você tem uma ação que converge para as lojas, onde você comprando um combo lá na loja, você ganha um código que você pode trocar por itens dentro do jogo. Então, realmente, esse entendimento de que existia um casamento entre a marca e o jogador era algo que só precisava ser ligado, e o sucesso é garantido”.

Apesar de ser indiscutível o fato de que a atenção do consumidor está inteiramente voltada para esse mercado e que é um mercado culturalmente relevante, a discussão sobre investimento e verbas publicitárias nesse espaço parece ser inversamente proporcional.

TV é tiro de canhão, eSports é tiro de sniper

O embate entre as mídias tradicionais e as novas mídias não vai acabar tão cedo. Esse é outro fato.

A televisão aberta é aquele tiro de canhão que coloca qualquer marca instantaneamente no mapa.

Mas ecossistemas como o dos eSports permitem às marcas um direcionamento muito mais certeiro, de estar exatamente onde a sua audiência está e falar diretamente com ela.

“A TV é aquele grande tiro de canhão. Ela tem o seu valor, o seu pensamento, sua estratégia. O eSports é mais o tiro de laser, é o sniper que pega exatamente o público que você quer falar”.

Leo concorda com esse pensamento e aponta que a BBL já está 100% nesse caminho, o que a faz estar despontando frente às entregas tradicionais.

“Nesse caminho é muito legal  trabalho que a gente vem fazendo lá na BBL, porque nós passamos a auditar nossas ações, por exemplo. Então eu consigo mostrar por minutagem e por posicionamento da marca na tela. Então, com isso, fica brutal a nossa entrega comprada às entregas tradicionais de eSports”.

Leo enxerga a expansão dos eSports de forma otimista e aponta a entrada de grandes marcas no sistema dos jogos eletrônicos como um ótimo ponto.

As grandes marcas começam a entrar para os eSports

De fato, está na hora das grandes marcas reverem a forma como elas alocam os seus orçamentos. Privilegiar inserções mais específicas, hoje em dia, é inegavelmente mais benéfico do que realizar ações onde não existe metrificação e apenas dados macro.

E Leo diz que isso já começou a acontecer, um fato super benéfico para o ano de 2019 que deve se fortalecer no próximo.

“A gente viu a entrada realmente muito forte de grandes marcas. A gente está falando de marcas de consumo, de comida, a gente vê alguns movimentos de vestuário. Eu até sei porque já estou falando de 2020 com muitas marcas, a gente já está com nosso inventário na rua para poder fazer as ações para o ano que vem”.

O cenário é benéfico para as grandes marcas, benéfico para as holdings e, claro, não poderia deixar de ser igualmente benéfico para os jogadores.

eSports é profissão

A consolidação dos eSports no mercado brasileiro impactou diretamente a vida dos jogadores profissionais. Agora, mais do que nunca, os eSports são uma carreira viável e real.

“É um ecossistema tradicional, com todas as funções, todas as oportunidades de qualquer outra indústria que nós temos aí no mercado. (…) A gente está falando aqui de pessoas que, cada vez mais, podem investir no que seria sua carreira de atleta de esportes eletrônicos porque as oportunidades são enormes”.

A infinidade de oportunidades que existem dentro do ecossistema dos jogos eletrônicos é um grande ponto positivo e uma grande vitória para o pessoal que sempre sonhou em se profissionalizar.

“(…) São diversos títulos, diversas modalidades, diversas categorias, que vão realmente desde o escolar até o profissional, é tudo uma realidade. (…) Hoje um time de cinco profissionais tem um staff de quarenta pessoas. É realmente gigante e a gente está pronto para representar uma marca e fazer essa entrega da melhor maneira possível”.

Notas finais

Os eSports já deixaram de ser hobby há algum tempo. E a tendência é que a sua presença seja cada vez mais dominante.

Saber fazer uma grande entrega em parceria com grandes marcas, centralizar sua ação para onde a sua audiência está e rentabilizar uma série de partes envolvidas profissionalmente.

Essas são algumas das principais potencialidades do mercado dos jogos eletrônicos.

Já chega a ser perda de tempo não olhar para ele com outros olhos. Todo mercado disruptivo precisa ser o foco de toda grande marca.

Mas, acima de tudo, esse comprometimento precisa ser verdadeiro.

Afinal, falar em eSports é como falar do Flamengo, é falar do torcedor. É algo que mexe com a paixão das pessoas.

E que uma coisa fique clara: toda vez que você está jogando no centro emocional delas você precisa, indiscutivelmente, fazer bem feito.

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