Guilherme de Alencar | China, Nostalgia e Cachorros-Quentes

Autor: raphaavellar
Guilherme de Alencar | China, Nostalgia e Cachorros-Quentes

Mais um episódio do The CMO Playbook no ar, e dessa vez com um convidado à altura do 20º episódio.

Convidei o Guilherme de Alencar, atual  Diretor de Marketing e Comercial da Geneal e que, só pra começar, tem uma formação que é o epicentro de tudo o que eu acredito.

Como ele mesmo diz, está em constante formação. Estudou 2 anos de publicidade porque queria desenvolver seu lado criativo. 

Depois, 2 anos de Desenho Industrial porque queria ver essa criatividade virando um produto.

E ainda fez 2 anos de teatro porque percebeu que dentro do meio executivo e de vendas, muito da sua inibição teria que ir embora. Tudo isso fora diversas especializações em outros cursos.

O Guilherme é a prova viva de que, para uma pessoa ganhar as competências que o mundo real precisa, ela não necessariamente precisa de um carimbo, de um diploma.

Então, aproveitando a abordagem multidisciplinar da formação do nosso convidado, o papo foi regado a diversos debates ultra relevantes. 

Guilherme viveu a China antes de ela ser um hype da tecnologia e atualmente está à frente do Marketing de uma das marcas mais nostálgicas do Rio de Janeiro, a Geneal, que conquistou tudo através da venda de cachorros-quente.

No blogpost de hoje você confere os highlights desse nosso papo.

A China antes do Hype

Guilherme vivenciou a China muito antes de ela ser a referência tecnológica que é hoje. Há dez anos atrás, tudo que ouvíamos falar sobre ela era relacionado a commodity, consumo gigantesco de minério de ferro do mundo inteiro.

Hoje, falamos de China pensando em Inteligência Artificial e em tudo que há de mais moderno. E Guilherme falou um pouco sobre como foi experienciar essa China de dez anos atrás.

“Fui com a simples meta de conhecer, ir para as maiores feiras, segmentar o que eu queria procurar. (…) Tinha o meu to do list todo preparado, o que eu queria buscar, qual o tipo de segmento e voltar com tudo isso para dentro de casa”.

Como ele mesmo diz, desde então foi um caminho sem volta e apesar das dificuldades de comunicação e acessibilidade, Guilherme conseguiu desenvolver um baita produto de GPS, chegando na casa das milhares de vendas.

“Na época a gente estava começando a desenvolver um uma linha de GPS que começou a vender bastante. Falamos, “vamos ser pioneiros nisso aqui”, e foi aí que eu fiz essas viagens para prospectar outros produtos, achar modos de qualificar o meu produto e aumentar a linha”.

O sucesso foi tão grande que o Guilherme e toda a sua equipe entenderam que era hora de atrelar o produto a uma forte marca, devido a sua ótima performance no mercado.

Fecharam com a Discovery Channel, surgiram private labels e, assim, fizeram produtos personalizados para a Ipiranga e Petrobras, ampliaram a linha.

“A gente entendeu que o nosso business mesmo era ir para a China, desenvolver uma fábrica com qualidade, porque na China você encontra de tudo, e a qualidade é uma questão”.

De fato, a qualidade dos produtos chineses é sempre questionada. Mas, muitas vezes, ela só acontece por falta de contexto. Guilherme conta que, teve um momento específico em que ele conseguiu quebrar esse preconceito.

“A virada de chave foi a questão do licenciamento. A gente conseguiu quebrar isso de uma forma que o consumidor não conseguia enxergar, não era visível para ele. Tínhamos um problema no sell-in, na hora de vender para o varejo, mas o sell-out acabava acontecendo de forma natural”.

Nostalgia é Relevância Cultural

Como a maioria de vocês deve saber, a Geneal está intrinsecamente ligada à cultura carioca. 

Ou seja, é uma marca extremamente relevante culturalmente. A tradição, como no caso da Geneal que já existe há 60 anos, é importante. Mas se manter ativo na cultura de uma sociedade também exige um fator substancial: a nostalgia.

Para mim, poder jogar com o centro emocional de uma pessoa através da nostalgia é uma das principais estratégias que eu gostaria de ver muitas marcas usando. Então, perguntei para o Guilherme como é trabalhar a nostalgia dentro da Geneal.

“Eu comecei a entender que eu precisava criar uma comunidade. Mas como? Vendo quem que já me ama de graça. Já existe muita gente que me ama, aí me perguntei: será que isso passa de pai para filho? Se não passa, vou ter que passar”.

Assim, a Geneal fez aquilo que falei mais cedo: passou a agir no centro emocional do seu público.

“A gente está presente nos jogos todos, no Maracanã. A gente entrega no dia de jogo; para a gente entregar pro cara que está no sofá de casa vendo o jogo com a família. Além disso a gente se foca no comportamento humano, e nesse caso, é o lifestyle carioca. Começamos a desenvolver bonés, roupas, estar nos principais pontos turísticos da cidade, fazer eventos para a molecada com personagens fantasiados”.

Ou seja, Guilherme mostra na prática o quanto nostalgia e relevância cultural andam juntas e transformam a experiência de marca.

Não é pelo Cachorro-Quente

E falando em experiência de marca, a Geneal sempre despertou muita curiosidade nas pessoas, que se perguntam como uma marca de cachorro-quente conseguiu crescer e se tornar tão conhecida.

Para o Guilherme, a resposta é simples: o cachorro-quente é só um detalhe, o que garante todo o reconhecimento, relevância cultural e sucesso é um outro fator.

“Comer cachorro-quente todo mundo come. Mesmo que a gente tenha uma receita de sessenta anos fechada a sete chaves e com um pão delicioso, cachorro-quente não é o que segura aquilo ali. É a experiência”.

Juntando a nostalgia ao lifestyle carioca, a Geneal encontrou a fórmula certa para ser uma marca de cachorro-quente que está muito além de ser “apenas” uma marca de cachorro-quente. 

E isso é algo que eu defendo que todos os executivos deveriam estar olhando com muita atenção e carinho.

“O cara vai sentar ali, vai olhar os Dois Irmãos, vai se sentir no Rio de Janeiro. É sobre o momento que ele está vivendo. Ele sabe que ele está se sentindo pertencente àquilo ali”.

Notas Finais

Da China ao Rio de Janeiro. Da tradição à nostalgia.

Guilherme nos deu um panorama genial de como conseguir relevância e fazer um bom produto frente a todas as adversidades que surgem no caminho de um executivo.

Seja na China de dez anos atrás, desvalorizada tecnologicamente e carregada de preconceitos, seja com a Geneal, que muitos podem olhar como apenas uma marca de cachorro quente, mas que tem um asset na mão que muitas outras marcas grandes não conseguem desenvolver.

Só a tradição não faz uma marca, é preciso saber tocar as pessoas, conseguir passar a mensagem de geração de geração, se inserir na cultura e no lifestyle. 

A nostalgia é um asset que a Geneal provou dominar do começo ao fim. A prova? Uma das marcas que mais representam o Rio de Janeiro na atualidade.

Gostou? Então ouça o episódio na íntegra clicando no player abaixo e se inscreva para receber novos episódios em primeira mão! 😉

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