Cultura é Economia [O que o CEO da Novo Traço tem a dizer sobre economia criativa]

Autor: raphaavellar
Cultura é Economia [O que o CEO da Novo Traço tem a dizer sobre economia criativa]

Por que a economia criativa é tão importante para a disseminação de cultura?

O que é cultura? 

Qual o papel da cultura quando se trata da geração de novos negócios?

Esses foram alguns dos assuntos do episódio do The CMO Playbook de hoje.

E para deixar a discussão ainda mais interessante, convidei o Rafaello Ramundo, CEO da Novo Traço para bater esse papo.

Então se você se interessa pelos temas de economia criativa, cultura, música e leis de incentivo, você precisa começar a ouvir o episódio de hoje agora!

Compilei os highlights do nosso papo e preparei esse blog post.

Sobre a Novo Traço

A Novo Traço Comunicação é uma agência de soluções customizadas de Trade Marketing.

Inicialmente, era uma empresa focada em atender o segmento de comunicação para a força de vendas e, com o decorrer dos anos e conforme novos projetos entravam, a Novo Traço se tornou também uma produtora de eventos.

Assim, com 12 anos de existência, a empresa é idealizadora de projetos como Prudential Concerts, Pedaleiros, Dia de Clássico TIM, Villa-Lobos em Movimento, Pelotas Jazz Festival, entre outros.

Sobre Rafaello

Rafaello é fundador e CEO da Novo Traço. Estudou na Escola Naval do Rio de Janeiro, mas percebeu que a sua paixão mesmo era empreender.

Após 4 anos trabalhando no jornal O Lance, tirou o seu projeto do papel e criou a Novo Traço.

Sua missão enquanto empreendedor e produtor cultural é o de se dedicar aos projetos que vão fundo e que tocam, verdadeiramente, as pessoas.

Com seus anos de experiência na área de cultura e música, produzindo eventos em parceria com grandes músicos e artistas como Frejat, Gilberto Gil e Maria Gadú, Rafaello tem muito a dizer sobre o cenário cultural no Brasil.

Ele, inclusive, defende que o conceito de cultura, antes de mais nada, precisa ser desmistificado.

É preciso desmistificar o que significa cultura para as pessoas

“Eu tenho a convicção de que a cultura é muito mais do que o romance como é tratada hoje em dia.” 

Aos olhos do CEO, as pessoas se preocupam muito em romantizar o conceito de cultura e se esquecem de observá-la a partir do seu viés industrial e mobilizador.

“Cultura não é sobre ser legal ou não, sobre classificar o que é bom ou o que não é. Antes de qualquer coisa, a gente precisa olhar para a capacidade industrial, mobilizadora da cultura, de geração de vendas, de geração de empregos, de novos empresários e empreendedores que se constróem através dela.”

Assim, Rafaello acredita que a cultura é uma indústria com um espectro gigantesco, como moda, gastronomia, artes plásticas, cinema e música. E que, justamente por acreditar nessa indústria que decidiu criar a sua empresa.

“É o que a gente vem fazendo ao longo dos últimos cinco anos. Eu entendo cultura como uma geração fluida e constante de conteúdos, que é o oxigênio para toda a cadeia de produção; desde a minha cadeira, passando pela produtora que recepciona os nossos convidados nos teatros, as agências que trabalham com a gente, os músicos, as famílias dos músicos, amigos.”

Para ele, a cultura precisa ser desmistificada para que o seu potencial econômico passe a ser levado em conta.

“A cultura leva potencial econômico de um ponto a outro com muita facilidade. Ela cumpre um papel social importante que é o de trazer harmonia, entretenimento e paz para as pessoas. Esse é o papel da arte de maneira geral.”

Economia criativa é um fenômeno que não deve ser ignorado

A economia criativa tem evoluído muito nos últimos anos. E quanto a isso Rafaello não tem dúvidas.

Ele também diz que é um a economia criativa é um “fenômeno que não pode ser ignorado”, uma vez que movimenta muito o capital nacional.

E completa falando sobre o quanto o seu trabalho e todos os projetos da Novo Traço e Prudential são impulsionados pela economia criativa.

“Eu tenho muita satisfação em entregar os produtos que eu entrego e conseguir gerar valor para a sociedade a partir deles. Todo esse “recado subjetivo” dos projetos culturais, na verdade, vem revestido em um encaixe perfeito a partir de estratégia com empresas que estão muito alinhadas com a economia criativa”.

Assim, para Rafaello, assim como a cultura é algo que faz parte da sociedade, a economia criativa também começa a fazer.

“A economia criativa é, na verdade, uma economia de conteúdo intelectual, de desenvolvimento, de criatividade, de venda sustentável de produto. E é por aí que a gente [a Novo Traço] caminha”.

Para o CEO, cultura e economia criativa andam juntas e são “o oxigênio” que as pessoas precisam. Ambas têm um duplo valor: ao mesmo tempo que tocam e transformam pessoas, também gera receita e movimenta a economia.

“A cultura e a economia criativa falam sobre a capacidade de ao mesmo tempo entregar valor emocional e econômico para o país. Mais uma vez, não estamos falando de romance, estamos falando de emprego, de renda, de turismo e de trabalho.”

O Brasil já sabe fazer cultura, agora precisa saber empreender

Romantizar a cultura é um dos grandes problemas do Brasil, para Rafaello. Ele fala que não tratá-la como um negócio, ou seja, como um produto, é estar fadado ao insucesso. 

Inclusive, fala que esse é um gap do próprio sistema de educação brasileiro.

“O Brasil cria músicos e artistas maravilhosos, mas o sistema de educação brasileiro não ensina as pessoas a empreender. Essas pessoas não sabem como produzir e, por essa razão, elas não tratam a cultura como um fim”.

Ele fala sobre como é importante que músicos e artistas saibam articular os projetos culturais com parceiros e com estratégias de marketing bem estruturadas.

“É evidente que entregar o produto é fundamental, mas um músico que não percebeu que, para conectar o seu produto cultural com o público, ele precisa trabalhar a capacidade de investimento com empresas parceiras, alinhar o seu produto à estratégias de marketing. O que falta para ele é compreender o seu próprio negócio.”

Ou seja, o que ele defende é que não basta um produto ser culturalmente relevante se o seu idealizador não saber como torná-lo escalável.

“Ninguém sai do lugar se você não escala o produto. A gente está vivendo num mundo em que os produtos precisam ser escaláveis. A gente precisa dar escala para os negócios, diminuir custos, produzir com mais inteligência.”

Rafaello finaliza esse pensamento de maneira prática e direta.

“O artista precisa compreender isso e compreender que quanto mais pueril e ingênua for essa visão dele, pior vai ser para ele, menos longe vai a sua música, a sua arte e, consequentemente, menos capacidade de receita ele vai ter de gerar e menos valor a agregar, seja para as pessoas ou para as empresas. Então, ou a gente muda isso ou a coisa não anda.”

Os setores da cultura, para se desenvolverem, precisam de incentivo

Leis de incentivo à cultura têm se tornado um assunto polêmico no Brasil nos últimos anos. E o que Rafaello defende é que essa polêmica se dá, basicamente, porque as pessoas não compreendem leis como a Rouanet, por exemplo.

“Você sabe por que as pessoas criticam a lei rouanet? Porque elas não leram a lei. A lei Rouanet é um mecanismo fantástico de promoção à cultura. Algumas das maiores economias do mundo como Inglaterra, Alemanha e França promovem o incentivo à cultura e o financiamento coletivo de cultura de uma parte.

Logo, o que o CEO aponta é que leis como a Rouanet não apenas fomentam a cultura numa sociedade, mas também fazem parte de um processo de educação da própria atuação do profissional da cultura.

“Eu sou a favor dos produtores, inclusive, pelo poder público. Vamos ensinar as pessoas a trabalharem, a se auto sustentar num período de tempo. Mas é impossível que alguns setores da cultura se desenvolvam sem incentivo. Então o poder público precisa, sim, participar do desenvolvimento dela; o próprio nome já diz, é um incentivo para que você se levante e faça.”

Assim, tratar as leis de incentivo à cultura com a devida importância é estar ciente do impacto que a cultura tem na sociedade e do quanto elas contribuem para a cadeia da economia criativa.

“Uma lei de incentivo não é importante, ela é fundamental. Os produtores precisam aprender a utilizar esses recursos com seriedade e contribuir, de fato, para a cadeia da economia criativa. Que passem a criar produtos de qualidade e compartilhem receita, gerem emprego, valor cultural, emocional e financeiro para a economia do Brasil.”

Por fim, Rafaello terminou o papo com um chamado à ação:

“Que desenvolvamos mais projetos, conversemos mais com as empresas, que entendamos mais as estratégias de marketing dessas empresas e vamos entender o ponto de interseção entre o produtor artístico e o que faz sentido para as empresas. Você ter a Lei Rouanet como o mecanismo econômico que vai fazer isso acontecer é nitroglicerina pura.”

Notas Finais

Cultura não é um assunto romântico. Ela deve mobilizar afetos e emoções, mas também ser capaz de impulsionar a economia.

A partir de aspectos como o da economia criativa, empresas e empreendedores podem aprender muito sobre como potencializar projetos e torná-los verdadeiros geradores de emprego e receita.

O Brasil ainda enfrenta uma certa falta expertise por parte dos profissionais, produtores e empreendedores culturais em enxergar a cultura como um potencial econômico, e é disso que precisamos correr atrás.

Sem incentivo, muitos setores ficam impossibilitados de se desenvolver e a atuação do poder público é determinante para a capacitação dos profissionais e consequente fomentação da cultura no Brasil.

Esses foram alguns aprendizados de hoje, o que você achou? Conta pra gente aqui nos comentários.

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