Andrea Iorio | Status quo, Marketing Invisível e Liderança Criativa

Autor: raphaavellar
Andrea Iorio | Status quo, Marketing Invisível e Liderança Criativa

Todo mundo que me acompanha já me ouviu falar, em algum momento, que estamos em uma era ultra transformadora do digital.

Como eu adoro falar sobre isso, convidei um outro profundo entendedor dessas transformações para o episódio de hoje do The CMO Playbook, o Andrea Iorio.

Andrea é palestrante, empreendedor e autor do livro “6 Competências para Surfar na Transformação Digital”.

Italiano, veio para o Brasil há oito anos, passando por empresas como Groupon, L’Oréal e foi o responsável pelo lançamento do Tinder no Brasil.

Você ainda pode estar se perguntando quais são essas transformações e no que elas implicam, e o episódio de hoje respondeu várias dessas questões.

Nesse post, compilei os highlights do meu papo com Andrea e alguns dos principais conceitos envolvendo a era digital que vivemos atualmente.

Plataformas que questionam o status quo, Marketing Invisível e liderança criativa são alguns deles. Vamos nessa e boa leitura!

Tudo que é inovador questiona o status quo

Esse foi um dos primeiros pontos de encontro entre o papo com Andrea. Ele, que por mais de quatro anos esteve à frente do Tinder na América Latina, teve que lidar com uma certa desvalorização e até rejeição do público ao aplicativo.

Essa rejeição, na maioria das vezes, acontece porque desestabiliza a norma. E Andrea completa.

“Na medida que a gente lança um produto extremamente inovador, é até óbvio que ele vai gerar uma rejeição porque incomoda o status quo das coisas”.

Hoje, estamos habituados com comportamentos que há dez, cinco anos atrás pareciam impossíveis de acontecer. O hábito é o que nos faz rejeitar o novo, e Andrea ressalta o quanto nós, por natureza, gostamos da rotina e da zona de conforto.

“No e-commerce há quinze anos atrás, se você parasse dez pessoas na rua, nove diziam que nunca iriam comprar online, que o produto é de má qualidade, que vai chegar amassado. etc, e hoje em dia todo mundo compra”.

Então, o que a gente precisa fazer é redirecionar o nosso pensamento e entender que, muitas vezes, a rejeição é algo positivo e significa que um produto ou serviço está causando alguma disrupção no mundo.

“Na medida que a gente busca o caminho da inovação, quando a gente gera uma rejeição, às vezes é ali onde estamos encontrando a parte mais interessante, porque é ali que estamos incomodando, mexendo com as pessoas”.

Assim, o digital está possibilitando que os mercados tradicionais e offline também se renovem e acompanhem todo esse movimento.

“Agora os shoppings e as lojas físicas que vão ter que se reinventam para ir contra essa rejeição; reinventando a experiência na loka, integrando on e off. É interessante ver que são ciclos, em que tudo que é novo gera uma certa rejeição e que isso faz parte”.

Marketing Invisível é o novo paradigma do marketing

A mídia tradicional já não é suficiente para ganhar o consumidor. E os bombardeios que ele recebe todos os dias faz a rejeição à mídia tradicional cada vez maior.

Isso é um fato para qualquer pessoa. E para Andrea, esse momentum do marketing que estamos vivendo o fez entender que o marketing precisa de um novo paradigma. É então que surge o Marketing Invisível.

“Diante dessa rejeição à mídia tradicional eu coloquei na prática que precisamos de um novo paradigma em termos de marketing, não apenas no marketing digital, pois estamos constantemente online então não tem mais distinção, e é o que eu chamo de Marketing Invisível”.

Mas, afinal, o que é o Marketing Invisível? De forma simples, é o marketing como ele precisa ser. E Andrea o define em três pilares:

1. Barato

“É muito barato porque é orgânico, você faz do seu cliente fiel criar conteúdo de e para você”.

2. Ágil

“É um marketing mais ágil porque, de fato, você não precisa daqueles meses de planejamento, daquela máquina de agência de mídia para criar assets pesado”.

3. Menos intrusivo

“Ele é menos descarado e gera mais mais identificação, é personalizado e assim por diante. Quando você combina esses fatores e pensa na melhor experiência do usuário, nas suas campanhas, quanto mais conversacional e menos transacional é a sua mensagem, mais você consegue de fato aplicar isso”.

Tudo que é intrusivo causa afastamento, nós enquanto consumidores sabemos disso. 

O Andrea mostra que o Marketing Invisível inverte o caminho que o marketing e os anúncios, campanhas e ações estavam seguindo e abre novas possibilidades.

Liderança Criativa como um novo modo de liderar

Uma outra mudança que podemos afirmar que o digital trouxe foi nas lideranças, no pensamento e nas ações dos líderes.

Perguntei para Andrea quais foram as atitudes que ele tomou nesses últimos anos enquanto líder e atitudes de outros líderes que deram muito certo e a resposta foi simplesmente genial.

“Primeiro, é sobre entender quais são as características do mundo digital que estão influenciando o tema de liderança e, consequentemente, quais são as características do líder baseado nessas mudanças que estão acontecendo através da digitalização”.

Ele traz uma analogia entre o mundo analógico e digital para exemplificar.

“Enquanto o mundo analógico é linear, o digital é exponencial. Isso requer do líder capacidade cognitiva, ou seja, de ter múltiplos pensamentos de forma contemporânea, entendendo a complexidade das coisas que não estão mais acontecendo de forma linear igual antes”.

Nesse sentido, o big data surge como uma “ameaça” ao líder que não consegue pensar nem agir de maneira rápida.

“No mundo analógico você não tinha a coleção de dados e de big data igual você tem hoje. O big data está sobrecarregando informações, os líderes que, na medida que não conseguirem ser mais assertivos e tomar decisões mais rápidas também vão ficar para trás”.

Ou seja, o “novo líder” ainda está sendo construído, mas talvez a demora para ele tomar forma seja na recusa das empresas de entenderem que o quesito experiência não é o que torna um profissional um bom líder.

É preciso fazer a mentoria reversa

“Tem vezes que o jovem aprendiz entende melhor sobre o consumidor do que a pessoa que passou trinta anos no mercado e é recompensada para ser líder por causa disso, o que eu tenho visto que está dando muito certo é a mentoria reversa”.

Assim, a mentoria reversa é a fusão de saberes entre esses líderes considerados mais experientes por anos de carreira e os novos profissionais, que compreendem de maneira mais natural esse novo momento.

“fazer com que os líderes passem tempo com os millennials ou a geração z ainda mais e expliquem pra eles como que funciona o TikTok, ou, como que as pessoas tomam decisões de compra agora que é sobre acesso e não necessariamente sobre posse; explicar porque que as pessoas não estão mais querendo comprar carro, imóvel, por exemplo”.

A mentoria reversa é apenas uma possibilidade dentro da potência que existe para as novas lideranças de hoje.

E todas as transformações, para qualquer líder, novo ou velho, experiente ou millennial, precisam sempre ser encaradas como novos desafios e novas oportunidades de criar coisas novas.

Notas Finais

O mundo digital não para de mudar. E vai continuar mudando incansavelmente.

As mudanças vão acontecer e nem sempre vão ser aceitas de primeira. Na maioria das vezes não vão.

Mas em 99% dos casos a rejeição ao novo acontece justamente porque ele propõe novos hábitos e tiram as pessoas das suas zonas de conforto.

Essas mudanças também está deixando o marketing e a propaganda tradicionais para trás. Eles já se tornaram desinteressantes e improdutivos para o consumidor.

O novo paradigma é fazer o marketing que não seja percebido pelas pessoas como marketing. Ele precisa ser natural, orgânico, não intrusivo e, por isso, invisível.

E vimos que existem, pelo menos, três pilares que tornam o marketing invisível extremamente benéfico e necessário.

Por fim, as mudanças exigem dos líderes um novo comportamento, um novo posicionamento e uma disrupção com o pensamento linear.

Por fim, líderes assertivos, dinâmicos, adaptáveis e abertos são aqueles que alimentam uma liderança criativa, que é fundamentalmente baseada na troca com o outro.

A mentoria reversa aparece como uma resposta à necessidade da materialização de um novo modelo de líder. Um líder que, sem dúvidas, moldará o nosso futuro.

Gostou? Então ouça o episódio na íntegra clicando no player abaixo e se inscreva para receber novos episódios em primeira mão! 😉

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